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sexta-feira

Doença de Crohn

A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal, que atinge geralmente o íleo e o cólon. Pode muitas vezes levar a uma má absorção de nutrientes, entre o quais temos a vitamina B3 que leva à manifestação de pelagra. O artigo a seguir relata um caso dessa rara complicação.

Pellagra as the presenting manifestation of Crohn's disease.

Pollack S, Enat R, Haim S, Zinder O, Barzilai D.
An 18-yr-old woman hospitalized with classical signs of pellagra was found to have Crohn's disease of the small and large bowel as well as malabsorption of nicotinic acid and iron. The symptoms of pellagra disappeared after intramuscular treatment with nicotinic acid, while the malabsorption was corrected following steroid therapy for the Crohn's disease. Pellagra should thus be added to the list of complications of Crohn's disease that are secondary to malabsorption. Although this complication seems to be very rare, it may be worthwhile to check for nicotinic acid malabsorption in untreated cases of Crohn's disease in order to determine its real prevalence.

Pelagra na Guerra Civil Espanhola

Durante a Guerra Civil Espanhola muitos casos de deficiências nutricionais relacionadas as vitaminas do complexo B apareceram. Entre essas deficiências temos a da vitamina B13, causadora de pelagra.
O artigo a seguir retrata um pouco este episódio.

Vitamin deficiencies during the Spanish Civil War in Madrid: a reminiscence.

Grande Covian F.
During the second winter of the war (1937-38) most of the patients showed a picture of classic pellagra, with a number of neurological disorders which in same cases appeared with no other manifestations of Pellagra. The clinical picture was dominated by the appearance of famine edema, with less manifestations of specific vitamin deficiencies, with neurological manifestations called similar to those "burning feet" syndrome and described by us as Paresthetic and Paresthetic-causalgic syndrome. The prominent features were: acroparesthesia, dysestesia dolorosa, sensation of cold, sensation of wetness, hyperpathia and causalgic pain. Treatment with nicotinic acid was very effective for the classical manifestations of Pellagra (dermatitis, diarrhea and dementia), but had no significant effect on the neurological manifestations. No effect of vitamin B1 was observed, but some improvement following the administration of autoclaved brewers yeast. It was concluded that the neurological manifestations often associated with the classical picture of Pellagra are not due to nicotinic acid deficiency, but to the deficiency of some component of the vitamin B complex which was neither vitamin B1, nor vitamin B2.

terça-feira

Café - fonte de B3



A maioria das pessoas que toma café diariamente ignora quais são as substâncias que estão presentes no café e pensa que o café contém apenas ou principalmente cafeína. Grande engano.
O café possui apenas 1 a 2,5 % de cafeína e diversas outras substâncias em maior quantidade. E estas outras substâncias podem até ser mais importantes do que a cafeína para o organismo humano.
O grão de café (café verde) possui além de uma grande variedade de minerais como potássio (K), magnésio (Mg), cálcio (Ca), sódio (Na), ferro (Fe), manganês (Mn), rubídio (Rb), zinco (Zn), Cobre (Cu), estrôncio (Sr), cromo (Cr), vanádio (V), bário (Ba), níquel (Ni), cobalto (Co), chumbo (Pb), molibdênio (Mo), titânio (Ti) e cádmio (Cd); aminoácidos como alanina, arginina, asparagina, cisteína, ácido glutâmico, glicina, histidina, isoleucina, lisina, metionina, fenilalanina, prolina, serina, treonina, tirosina, valina; lipídeos como triglicerídeos e ácidos graxos livres, açúcares como sucrose, glicose, frutose, arabinose, galactose, maltose e polissacarídeos.
Adicionalmente o café também possui uma vitamina do complexo B, a niacina (vitamina B3 , PP ou "Pelagra Preventing" em inglês) e, em maior quantidade que todos os demais componentes, os ácidos clorogênicos, na proporção de 7 a 10%, isto é, 3 a 5 vezes mais que a cafeína.
Recomenda-se o de 3 a 4 xícara (400-500 mg/dia) já que o consumo exagerado pode levar ao aumento da pressão arterial, alteração dos níveis de ácidos graxos e insônia.
Portanto, beba com moderação!

Câncer e deficiências nutricionais

Deficiências nutricionais são comuns em pacientes com diagnóstico de câncer, devido a quimioterapia e remédios usados no tratamento. Entre essas deficiências, temos a de vitamina B3 que leva a manifestação de pelagra.
O artigo a seguir relata um pouquinho essa questão.

Nutritional deficiencies in patients receiving cancer chemotherapy.

Department of Oral Oncology, University of Texas Health Science Center, Houston.Cancer often causes malnutrition and specific vitamin and protein deficiencies. Chemotherapy also causes deficiencies by promoting anorexia, stomatitis, and alimentary tract disturbances. Antimetabolite drugs in particular inhibit synthesis of essential vitamins, purines, and pyrimidines. Because vitamin levels in the blood are often nondiagnostic, nutritional deficiency is identified almost exclusively on the basis of clinical signs and symptoms and the patient's response to therapy. Signs and symptoms of cachexia and hypoalbuminemia are common in patients with advanced cancer. Deficiencies of vitamins B1, B2, and K and of niacin, folic acid, and thymine also may result from chemotherapy. Nutritional deficiencies are chemically correctable; however, the tumor must be eradicated to relieve cachexia.

Pelagra e anorexia nervosa

A anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por uma rígida e insuficiente dieta (caracterizando em baixo peso corporal) e estresse físico. Ocasiona anemia, insônia, depressão, desidratação, entre outras consequências; além de levar ao desenvolvimento de várias doenças como a pelagra (deficiência de vitamina B3).



Segue abaixo um artigo a respeito dessa relação entre pelagra e anorexia.

Pellagra may be a rare secondary complication of anorexia nervosa: a systematic review of the literature. Prousky JE.



Pellagra is a nutritional wasting disease attributable to a combined deficiency of tryptophan and niacin (nicotinic acid). It is characterized clinically by four classic symptoms often referred to as the four Ds: diarrhea, dermatitis, dementia, and death. Prior to the development of these symptoms, other nonspecific symptoms insidiously manifest and mostly affect the dermatological, neuropsychiatric, and gastrointestinal systems. A review of the literature reveals several case reports describing pellagra in patients with anorexia nervosa. The most common features of pellagra in patients with anorexia nervosa are cutaneous manifestations such as erythema on sun-exposed areas, glossitis, and stomatitis. Health care providers might consider a trial of 150-500 mg niacin if anorexic patients exhibit these cutaneous findings. Pellagra can be diagnosed if cutaneous symptoms resolve within 24-48 hours after oral niacin administration. To further corroborate a diagnosis of pellagra in anorexic patients, specific 24-hour urine tests for niacin metabolites and 5-hydroxy-indole-acetic acid could be run prior to treatment with niacin being instituted. Other factors, such as mycotoxins, excessive dietary leucine intake (although not in anorexia), estrogens and progestogens, carcinoid syndrome, and various medications, might also lead to the development of pellagra. Although pellagra appears to be a rare, yet possible secondary complication of anorexia nervosa, it should be considered in the work-up of patients who exhibit cutaneous manifestations subsequent to sunlight exposure.

sábado

Pelagra na Angola (2001)

Controle de Emergências

No Kuito, província do Bié, registrou-se um novo surto de pelagra, desequilíbrio ou carência nutricional causado por falta de micro-nutrientes. Em 2000 um aumento vertiginoso de casos havia sido registrado entre os meses de maio e fins de outubro, atingindo o pico máximo em finais de agosto.
Com abertura de novas áreas de acesso os MSF/B reportaram o tratamento de 14 casos de pelagra na semana 25, e 15 casos na semana 26 em Camacupa.
Esta mesma ONG belga, abriu um centro nutricional terapêutico em Camacupa, para efetuar o tratamento nutricional das crianças malnutridas, oriundas principalmente do município do Cuemba, na província do Bié.
Com a abertura deste centro nutricional, a assistência das crianças malnutridas é feita localmente e a transferência para o Kuito será reservada aos casos mais graves.
A situação nutricional no Mussende, província do Kwanza-sul, tem sido igualmente reportada como grave, mas não foi possível fazer um estudo mais aprofundado da situação por dificuldades de acesso. Dados do MINSA colhidos em maio de 2001 indicavam que a taxa de malnutrição aguda global era de 16,1%. A população deslocada dessa área foi instalada em Cangandala, Província de Malange.

terça-feira

Dermatite da pelagra em fase de cicatrização



A dermatite actínica da pelagra melhora rapidamente após abstinência alcoólica e ingestão de dieta balanceada, normocalórica.
Nesses casos, a administração de niacina não parece resolver o quadro mais rapidamente que a dieta oral.

Pelagra e o alcoolismo

O alcoolismo está bastante relacionado coma pelagra, pois o álcool além de não fornecer aminoácido essenciais, sais minerais e vitaminas; ainda reduz a disponibilidade das vitaminas B2, B6, e B12. Estas duas primeiras são muito importantes para o metabolismo, já que são imprescindíveis em reações enzimáticas que transformam o aminoácido triptofano em ácido niconítico. A sua deficiência leva, então, ao surgimento de casos de pelagra como abordado nos artigos abaixo.

The diagnostic importance of photosensitivity dermatoses in chronic alcoholism: report of two cases.

Many of the vitamin deficiency diseases have been almost completely eliminated in developed countries. Niacin deficiency is considered one of them. However, cases of pellagra are recently reported in West Europe, USA, Australia, and Japan in connection with chronic alcoholism, gastrointestinal malabsorption, and some medications. We report two cases of pellagra, manifesting as photosensitivity dermatoses with mental deterioration in chronic alcoholic abusers in the Mediterranean basin, the island of Crete in Greece. The report highlights the fact that all physicians should be alerted to photosensitivity dermatoses in alcoholics; early treatment with multiple vitamin therapy, including nicotinic acid should be initiated in these patients.
Pipili C, Cholongitas E, Ioannidou D.
Department of Internal Medicine, General Hospital of Sitia, GR 72300, Greece.

B Vitamin deficiency and neuropsychiatric syndromes in alcohol misuse.

Alcohol misuse and alcohol withdrawal are associated with a variety of neuropsychiatric syndromes, some of which are associated with significant morbidity and mortality. B vitamin deficiency is known to contribute to the aetiology of a number of these syndromes, and B vitamin supplementation thus plays a significant part in prophylaxis and treatment. In particular, the Wernicke Korsakoff syndrome (WKS). due to thiamine deficiency, is a common condition in association with alcohol misuse, and is associated with high morbidity and mortality. Nicotinamide deficiency may result in a rarer condition, alcoholic pellagra encephalopathy, which often has a similar clinical presentation to WKS. This review considers the role of B vitamins in the aetiology and treatment of neuropsychiatric syndromes associated with alcohol misuse, with particular emphasis on WKS.
Cook CC, Hallwood PM, Thomson AD.
Kent Institute of Medicine and Health Sciences, University of Kent at Canterbury, UK.

segunda-feira

Pelagra na Europa




A Pelagra esteve sempre associada a milho ou outros cereais, grãos nativos da América e alimento principal dos índios americanos. Com as viagens de Cristóvão Colombo, o milho foi levado para a Europa, despertando, inicialmente, apenas o interesse de ervanários curiosos sobre as propriedades medicinais das plantas. Todavia, a meio do séc. XVII, pelo menos um ervanário, de Caspar Bauhinus, observou que o grão podia ter efeitos nocivos ao invés de propriedades medicinais benéficas à saúde se consumido em grandes quantidades, tendo sido publicado postumamente, em 1658, em Basel, a descrição de uns rapazes de Guineas que assaram e comeram os grãos, ao invés de pão, e acabaram com a pele tão vermelha como se tivesse sido queimada.
Desvalorizada a advertência, as vantagens do milho eram óbvias, garantindo a sua expansão para lá dos jardins botânicos da Europa, chegando então aos campos rurais. O cultivo fácil e a proliferação da sua produção tornaram-no preferido ao trigo, cevada e milho-miúdo. Assim, no final do séc. XVIII, o milho crescia largamente na Itália, e a partir daí expandiu para a outrora Iugoslávia, para a França, Áustria e Hungria. Aqui, o governo incentivou ativamente a sua produção porque, por um lado constituía o alimento principal para os camponeses, e por outro a sua larga produção trazia grandes dízimos para os cofres reais.
A Pelagra foi identificada pela primeira vez por um médico da corte real Espanhola, Don Gaspar Casal, em 1735, na cidade de Oviedo, nas Astúrias. Aí, Casal começou por reparar numa espécie de Leprose que os camponeses chamavam mal de la rosa, e por ser tão horrível, achou por bem explicar as suas características, surgindo então a primeira descrição da doença: extrema fraqueza da vítima, sensações de queimadura, crostas na pele, e melancolia. O médico Espanhol percebeu ainda que os que padeciam do mal viviam à base de milho, enfatizando que a rosa poderia ser tratada adicionando à alimentação leite, queijo, e outros alimentos raramente vistos pelos mais pobres. Thièry, médico francês a trabalhar então na corte Espanhola, leu o manuscrito de Casal e escreveu então uma descrição breve da doença para um jornal Francês, publicado em 1755. O livro de Casal, publicado apenas em 1762, três anos após a sua morte, tem a secção em que discute o mal de la rosa separada das outras doenças, contém a única ilustração do volume, e é escrita em Latim, ao invés de Espanhol. No espaço de dez anos, a doença foi também detectada na Itália onde lhe foi então dado o nome de Pelagra, por Frapolli.
Conhecimentos de casos de Pelagra em Espanha são escassos após o relatório de Casal, mas no séc. XIX a doença propagou-se de forma agressiva pelo norte de Itália e sudoeste de França. Em 1817, um médico Inglês que se encontrava de visita a Milão percebeu que cerca de 66% dos internados numa instituição mental eram pelagrosos.
Théophile Roussel, médico francês, na sua visita a Espanha nos anos 1840 deparou-se com uma falta de relatórios sobre a doença que o deixou perplexo, tendo-se ainda percebido que algumas doenças chamadas por vários outros nomes eram na verdade casos de Pelagra, o que o levou a publicar um relatório sobre o assunto. Os médicos Espanhóis ficaram descontentes com esta interferência estrangeira nos seus casos medicinais, mas a insistência de Roussel na existência de uma unidade endémica de doenças tipo-Pelagra foi um passo evolutivo no país.
Olhando para trás, percebe-se de que forma a pelagra se expandiu de mãos dadas ao cultivo de milho. A culpa da doença não era do grão em si, mas antes das condições sociais e econômicas inerentes às classes mais pobres da população que se viam forçadas a uma dieta cada vez mais monótona. Na Espanha, por exemplo, a Pelagra surgiu numa região onde a antes próspera criação de ovelhas merinas tinha perdido a sua influência por volta de 1758, e os camponeses foram deixados a tratar das suas vidas conforme conseguissem. Na Itália, o mezzadria, um sistema de posse de terras, ajudava ao empobrecimento dos camponeses, visto que metade das suas colheitas se destinavam a pagar a renda ao proprietário rural. No sul de França, o milho não representava uma colheita importante até o séc. XVIII já ir avançado, e a sua produção não foi muito explorada nos arredores de Paris até 1829, altura em que surgiu o primeiro relato de Pelagra no país. Os camponeses que padeceram da doença eram inicialmente pastores de ovelhas cuja terra era pobre, e o dinheiro e comida tão escassos que se alimentavam exclusivamente por vegetais. Os Franceses tiveram mais sorte que os seus vizinhos: beneficiaram do trabalho de Roussel, o qual acreditava vigorosamente que a Pelagra se devia a alimentações com base no milho, o que encorajou reformas que visavam melhorar o fornecimento de alimentos e as condições de trabalho e vida dos camponeses. Roussel escreveu dois livros sobre a Pelagra, sendo que o segundo, publicado em 1866, dizia que o problema da doença seria resolvido através do progresso social, e não por descobertas científicas. A sua argumentação persuadiu o governo Francês que diminui assim a cultivação de milho para a alimentação humana encorajando antes a criação de animais. Com o virar do século, a Pelagra já tinha virtualmente desaparecido da França.
Algumas pessoas aceitavam a idéia da doença ser causada pelas condições económicas, outras não tinham essa capacidade. Esta teoria do milho como prejudicial à saúde foi usada para explicar como é que a Pelagra acabou em Yucatan em 1882, aquando da destruição das colheitas de cereais pelos gafanhotos. Assim como o ressurgimento da doença com a importação do cereal de Nova Iorque, que voltou então a ser utilizado como alimento dos mais pobres. Quando as colheitas tornaram a falhar no séc. XX, o cereal foi de novo importado para Yucatan, e novamente se deram surtos destrutivos de Pelagra.
Aqueles que não se convenciam de que os cereais eram os responsáveis pela Pelagra, pensavam que a hereditariedade tomava também parte no desenvolvimento da doença, que a má qualidade do ar era responsável, ou que o mal era causado por algum organismo não-visível, um vírus. Mas no século XIX a maioria dos que acreditavam que o mal era a alimentação baseada no milho conseguiram triunfar junto dos governos, persuadindo-os com sucesso significativo a agir com vista ao corte no consumo de cereais, como feito originalmente na França.